Eu sempre fui alérgica. As minhas alergias foram mudando com o tempo. Quando criança e adolescente era alérgica a pó. Como se dizia então. Acordava espirando e o nariz escorria muito. Hoje em dia se sabe que na verdade esta alergia é causada não exatamente a pó, mas devido a pequenos ácaros que se encontra no pó, principalmente das residências. Ela ocorre com maior freqüência de manhã. Esta alergia eu não tenho mais. Como, é uma outra história.
Mas uma vez alérgica, para sempre alérgica. Se eu tenho contato contínuo com animais, tenho alergia. E há dois anos, o meu terceiro ano aqui na Alemanha, apareceu a minha alergia a pólen. No primeiro ano foi suave, no segundo terrível. No auge da crise era difícil até de respirar. E, ao contrário do que faria em qualquer ataque de alergia no Brasil, eu não tomei nenhum medicamento por conta própria – aliás eu sempre tinha antialérgicos na bolsa. Fui ao médico. E a indicação: depois que passar a crise e não houver mais pólen no ar, fazer os testes, mandar preparar e tomar vacina. Assim, no começo do inverno, dois anos atrás, eu comecei a tomar vacinas. Aqui é uma mão de obra. Só o médico pode te aplicar a vacina. Pessoalmente. E você tem que ficar lá e esperar 30 minutos depois da aplicação. O médico vem – um dermatologista, confere e te libera. Se você não esperar, não recebe vacina na próxima vez. Proteção para o paciente. Proteção para o médico também, diga-se de passagem. Eu não sei qual o procedimento no Brasil quanto à aplicação de vacinas para alergia a pólen – se alguém souber por favor me diga, mas para outras alergias, conheci vários alérgicos que levavam a vacina pra casa e se auto-aplicavam.
Eu não conheço ninguém no Brasil que tivesse alergia a pólen. Mentira, conheço uma pessoa sim. Aqui conheço várias e vejo muitas pessoas na rua com alergia. Outro dia escutei na televisão que 1,3 milhões de pessoas aqui na Alemanha tem alergia a pólen. Chegam mesmo a falar em epidemia. E o cruel nesta alergia é que ela vem exatamente quando o inverno acaba e a primavera começa. Com suas flores, com os dias lindos, quando tudo que se quer é sair de casa e zanzar. Só que lá fora é que mora o perigo ou o inimigo: os pólens. É, no plural, por que são vários. Eu por exemplo tenho alergia aos pólens de gramíneas. Portanto a minha vacina é com – e/ou contra, como queiram, pólen de gramíneas. Isto não impede que depois eu me torne alérgica a outros pólens. Uma vez alérgica, sempre alérgica.
Em outro post vou falar dos métodos de prevenção que os alérgicos a pólen devem adotar. É divertido. E também das teorias de porque alergia a pólen ocorre com tanta freqüência atualmente. Aqui e em outros paises.
Os pólens são até simpáticos. Pode-se ver alguns aqui.
Escrito por rosangelae
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