Alergia a pólen.

Maio 3, 2004

 

alergia

Eu sempre fui alérgica. As minhas alergias foram mudando com o tempo. Quando criança e adolescente era alérgica a pó. Como se dizia então. Acordava espirando e o nariz escorria muito. Hoje em dia se sabe que na verdade esta alergia é causada não exatamente a pó, mas devido a pequenos ácaros que se encontra no pó, principalmente das residências. Ela ocorre com maior freqüência de manhã. Esta alergia eu não tenho mais. Como, é uma outra história.

Mas uma vez alérgica, para sempre alérgica. Se eu tenho contato contínuo com animais, tenho alergia. E há dois anos, o meu terceiro ano aqui na Alemanha, apareceu a minha alergia a pólen. No primeiro ano foi suave, no segundo terrível. No auge da crise era difícil até de respirar. E, ao contrário do que faria em qualquer ataque de alergia no Brasil, eu não tomei nenhum medicamento por conta própria – aliás eu sempre tinha antialérgicos na bolsa. Fui ao médico. E a indicação: depois que passar a crise e não houver mais pólen no ar, fazer os testes, mandar preparar e tomar vacina. Assim, no começo do inverno, dois anos atrás, eu comecei a tomar vacinas. Aqui é uma mão de obra. Só o médico pode te aplicar a vacina. Pessoalmente. E você tem que ficar lá e esperar 30 minutos depois da aplicação. O médico vem – um dermatologista, confere e te libera. Se você não esperar, não recebe vacina na próxima vez. Proteção para o paciente. Proteção para o médico também, diga-se de passagem. Eu não sei qual o procedimento no Brasil quanto à aplicação de vacinas para alergia a pólen – se alguém souber por favor me diga, mas para outras alergias, conheci vários alérgicos que levavam a vacina pra casa e se auto-aplicavam.

Eu não conheço ninguém no Brasil que tivesse alergia a pólen. Mentira, conheço uma pessoa sim. Aqui conheço várias e vejo muitas pessoas na rua com alergia. Outro dia escutei na televisão que 1,3 milhões de pessoas aqui na Alemanha tem alergia a pólen. Chegam mesmo a falar em epidemia. E o cruel nesta alergia é que ela vem exatamente quando o inverno acaba e a primavera começa. Com suas flores, com os dias lindos, quando tudo que se quer é sair de casa e zanzar. Só que lá fora é que mora o perigo ou o inimigo: os pólens. É, no plural, por que são vários. Eu por exemplo tenho alergia aos pólens de gramíneas. Portanto a minha vacina é com – e/ou contra, como queiram, pólen de gramíneas. Isto não impede que depois eu me torne alérgica a outros pólens. Uma vez alérgica, sempre alérgica.

Em outro post vou falar dos métodos de prevenção que os alérgicos a pólen devem adotar. É divertido. E também das teorias de porque alergia a pólen ocorre com tanta freqüência atualmente. Aqui e em outros paises.

Os pólens são até simpáticos. Pode-se ver alguns aqui.


Uma  vermelha.

Maio 2, 2004

uma vermelha

Sexta feira à noite. Sete mulheres sentadas à mesa de um restaurante de uma cidadezinha de 6.000 habitantes.
Comeu-se. Bebeu-se. E lá vem a vida atual comentada.

- Em Kirchcheim (cidade de pequeno porte- 35.000 habitantes) você anda pelas ruas e escuta de tudo, menos alemão.
- Hoje me dia você não recebe mais uma vermelha tão fácil assim. Em Esslingen (cidade de porte médio), na festa X do ano passado (festa comemorada nas ruas com muitas barraquinhas) você conseguia comprar de tudo. Pizza, sei lá o que, tudo. Menos uma vermelha.
Para esclarecer: uma vermelha é uma salsicha vermelha dentro de um pão! Bem alemão!
- Quando você pensa, dentro do próprio país e você não recebe nenhuma vermelha!
- E vai ficar pior! Eu acabei de ler na Geo.
Para manter os níveis atuais da população alemã, as alemãs deveriam ter, em média, 2,4 filhos na vida. E a média atual é de 1,4 filhos.
- Basta olhar aqui nesta mesa. De 7 mulheres só uma tem 1 filho!
A que tem filho: - É mesmo! E se fosse hoje, alguém aqui teria filhos? Eu não teria filhos de novo. Eles crescem e não conseguem uma lugar para uma formação decente, menos ainda um emprego!


É globalização ?

Abril 30, 2004

Egito 2

Egito 1

Estando no Egito em dezembro de 2002, visitamos uma tribo de beduínos nômades que vivem no deserto. Um programa de um dia oferecido por uma agência de turismo. O guia morou na Alemanha e ao voltar ao Egito implantou este tipo de atividade para turismo. Todas as pessoas do povoado estão envolvidas. Uma garota prepara pão do modo usual deles. Há um passeio de dromedário, que consiste de uma voltinha de 100, 200 metros, ida e volta, com os dromedários sendo conduzidos pelas mulheres da tribo. Antes retornar, a mulher que conduz o seu camelo olha para cima, murmura alguma coisa que, á claro, ninguém entende, mas faz um gesto universal. Estende a mão em concha. Ela espera ali receber o seu pagamento. Depois dos dromedários um passeio entre as casas, aliás, bem distantes entre si, para se ver como eles vivem. Uma passagem por uma vendinha de artesanato. O dia anoitece. É servido um jantar com comida típica. Depois do jantar, música e dança ao redor de uma fogueira. Jantar e dança, são com os membros masculinos da tribo. As mulheres recolhidas às suas casas.

O que me impressionou foi ver as crianças brincando. As únicas que não estavam programadas para só turista ver. Eu acho. E espero. Primeiro a simplicidade das brincadeiras que as mantêm bem ocupadas: pular pedra, pular um grupo de amiguinhos, puxar carrinhos que eles mesmos fizeram, com toda sorte de coisinhas e badulaques. Segundo a própria presença dos carrinhos. Claro que eles conhecem carros. Os turistas têm que chegar lá de alguma maneira. Mas os camelos são a forma de transporte deles. E os pés. Mas os carrinhos com suas rodas estavam lá!

Outra forma de distração dos mais crescidinhos: jogar futebol. O guia orgulha-se de ter implantado o jogo na tribo - eles têm até um campo de futebol. Ele, o guia, mostrava-se também orgulhoso de ter implantado o turismo na tribo, proporcionando melhoria nas condições de vida dos seus membros. Para nós como turistas, foi um sentimento estranho de estar invadindo a privacidade deles, mas depois de ouvir o guia, você fica até querendo se convencer de tudo é muito normal! E bom!

É globalização? É globalização. Tem alguma relação com mobilidade? Tem. Tem alguma relação com aprender línguas? Tem.

Fotos
As crianças brincam. As mães trabalham.


Mobilidade define globalização?

Abril 29, 2004

Manoel, você me pergunta lá nos comentários do post passado, se é globalização ser brasileira, morar na Alemanha e estudar francês. Respondo aqui sua pergunta.

Claro, Manoel. Isto também é globalização! Aliás, o que acho difícil é encontrar um lugar, ou uma situação atualmente, onde não se sente a força da globalização. Talvez exista. Mas com certeza não é aqui. Aqui, na região de Stuttgart, onde moro, fala-se mais ou menos 150 línguas diferentes! E escuta-se, portanto. Enquanto estudei alemão tive colegas do Irã, Afeganistão, Itália, Croácia, Rússia, Geórgia, Espanha, Iraque, Japão, Coréia do Sul, Vietnã, Cuba, Turquia, Colômbia, Moçambique, Zâmbia, Gana, Polônia, Bulgária, Grécia, África do Sul, Inglaterra, Sri Lanka, China. Os que me lembrei, na ordem em que me lembrei.

Eu acho que hoje em dia o que cria fronteiras são a carência de dinheiro ou de interesse e as questões políticas, além de guerras, conflitos, etc. Pensando bem, estas premissas descrevem os limites de mobilidade das pessoas que viajam e/ou se imigram por opção própria. Mas exatamente o contrário pode acontecer. Talvez até com maior freqüência, infelizmente. As questões políticas lançam muitas pessoas no exílio, exílio mesmo. Aqui na Alemanha há muitos exilados políticos. Eu tive colegas que eram exilados políticos e outros que gostariam de ser. Saíram de seus países devido a uma condição de opressão política e ficam zanzando entre um país e outro, esperando ser adotados por algum deles.

A falta de dinheiro é também um fator que gera mobilidade. Quantas pessoas não deixam suas pátrias, imigram, devido à falta de dinheiro, buscando melhores condições de vida? Isto buscavam muitos dos imigrantes italianos e alemães que foram para o Brasil, por exemplo. Havia fome na Europa quando eles foram pra lá. E isto ocorre também dentro de um mesmo país. Que outra coisa não é a migração de nordestinos para São Paulo?

Então, como tudo na vida, as condições que criam a globalização são relativas de cada momento. Mas nem de longe são novas. Embora esta palavra, ao que me parece, ser relativamente nova, esta situação ocorre desde sempre. O que fez com que o homem primitivo deixasse a África e povoasse toda a terra?

No final, percebo que acabo criando um paralelo entre globalização e mobilidade humana. Será que está certo? Sei lá. E eu me pergunto, por que respondo à sua pergunta, fazendo um paralelo direto com mobilidade? Voltemos à pergunta: “Você é brasileira, mora na Alemanha e estuda francês. Isto é globalização ?” Acredito que sim. Quando os povos interagem entre si é natural que as pessoas tentem se entender umas com as outras. Foi diferente em outras épocas? Acho que não. Acho que nem no começo da história foi diferente. E falar outras línguas te da mais mobilidade. Não exatamente física, mas mobilidade. Pronto. Eis o motivo. Se toda esta verborréia responde à sua pergunta, também não sei. E esta é só minha opinião a respeito.


Um abraço.


Meu menino do dedo verde,

Abril 28, 2004

ouvi seu recado na secretária e tomei nota do número do telefone. Te telefono amanhã pra te acordar às 7h, claro. Já anotei. Às 13h, do nosso horário aqui.

A aula de francês foi ótima. Ri muito. Primeiro a professora cantou o Parabéns pra você” em frencês claro, e uma das colegas bateu palmas. A professora ficou vermelha, vermelha. Depois apareceu a palavra Au secours (socorro!) na lição e a professora contou uma piadinha. Veja lá:

Um francês, visitando a Suabia cai em um rio, começa a se afogar e grita: “Au secours, au secours!

Um Suábio que está em uma ponte próxima, grita pra ele, em suábio claro: “Isto que dá aprender francês, ao em vez de aprender a nadar!”

Fim da piada.

Ela contou, tentando falar em suábio, claro sem sucesso. Acabou contando em alemão mesmo e ficou vermelha, vermelha de novo. Como as flores aí em baixo. Eu chorei, chorei de rir.

Mas não nós temos que estudar juntos no final de semana. Na próxima aula, teremos até que gritar por socorro também!

Já mencionei as flores… Pois é. As Amarílis se abriram, como toda vez que você viaja. Da outra vez abriram-se as brancas. Desta vez, as vermelhas. Para que você não perca nadinha, nadinha te mando uma amostra. Só não sei se elas ficam tão belas até você voltar. E, quem saaabe, se olhando as flores, você não se apressa o seu retorno? Eu sei, seu sei… Paciência. Eu e as flores esperamos, fazer o que. A samambaia também vai bem. Pode deixar que não vou me esquecer dela como da outra vez. Estou com saudade. Dá pra entender uma coisa destas?

Um beijo doce, tua r.

Nota de rodapé:

Aqui na Suábia, região do sul da Alemanha, fala-se o suábio, um dialeto muito, digamos, feio mesmo. Eu não falo e espero nunca falar. E a nossa professora de Francês também não consegue.

A Amarilis:

amarilis


Aqui houve uma vez uma casa

Abril 28, 2004

Porta em Enna na Siclia

 

Aqui houve uma vez uma casa. Aqui, onde hoje impera ruínas, quase nada, morou alguém. Alguém que tinha sonhos, esperanças, alguém que já morreu. Pereceu e junto com ele seus sinais, sua casa, seu poder, sonhos, esperanças. Ou desesperanças, ódios e desilusões. Ou ambos. Aqui morou e morreu alguém. Ambos. Ou não. A premência em saber não tem importância alguma. Há restos. As cinzas o vento levou. Aqui eu passo e passas. Amanhã já não passaremos.


Batendo perna…

Abril 27, 2004

… por aí.

po a�.


Papo de telefone.

Abril 26, 2004

Mister P. está viajando. Ele viaja muito. E telefonamos muito.
- Estou com uma baixa.
- É claro!
- Como assim, é claro.
- É claro. Marido não está aí.
- Engraçadinho!
Ele é bem atrevido! - Convencido, aliás, ele também é! E eu também tenho baixas quando ele está.
- Vai fazer alguma coisa.
- Isto eu mesma já tinha decidido.
- Passar roupa por exemplo. As calcinhas, cuecas e meias que estáo também esperando para serem dobradas. (ri!)
- Não pode ser outra coisa, não?
- Aproveita que não tem vontade de fazer nada.
-Eu vou fazer alguma coisa. Tenho aula de pintura.
Só a lembrança me alegra. O dia está lindo e já estávamos combinadas. No primeiro dia de sol, íamos sair para desenhar uma árvore ao ar livre. É hoje.
Onde todo o peso de antes? Se eu não o me alegro ou se eu me alegro, não salvo nem mudo mesmo o mundo. Melhor me alegrar.
-É isto amor. Já não tenho mais baixa nenhuma. Agora só pra cima.


Contradição.

Abril 26, 2004

 

flor
Hoje o dia amanheceu lindo.
De que adianta? Baixa de auto-estima. Baixa de motivação. Pensam que eu também não tenho? Tenho. Quem sabe admitir isto ajuda a espantar os fantasmas? Hoje é vespera de lua crescente. Será que estas fases têm alguma coisa a ver com a fase da lua? tsc, tsc, tsc. A busca de uma razão. Sempre. Por que simplesmente não aceitar que é assim?
Vou fazer alguma coisa.


Tocando de leve.

Abril 25, 2004

 

flor2

O que acontece quando nossa atenção não está naquilo que está mais próximo de nós? Quando nossos olhos estão postos em alguma coisa, mas o foco da atenção está em outro lugar?

Aquilo que está mais próximo de nós sempre nos parecerá sem forma definida, sem cores definidas -por mais que tentemos mudar a luz ou o ângulo com que o olhamos.

Acho que é nisso que se pensa quando se diz que devemos viver o momento presente. Não ficar pensando no botão (do momento) que ainda vai se abrir no futuro. Se não se perde a beleza do momento presente, com seus contornos e cores especiais.